18/04/2012

O Tempo Pede Desculpas - Lucinda Prado














Hoje regressei a antiga casa de minha infância
Perco-me parada aos pés da porta de entrada
Uma força estranha abala-me a alma,inquieta
Dúvida cruel entre o ir e vir - a saudade é vencedora.

Meus pés se movem na lentidão dos degraus
Que me conduzem a antessala de minhas lembranças
Revejo-me pequenina e sorridente, quase feliz!
Ouço meus risos ecoando pelas paredes nuas.

Da janela da alma, me aproximo vagarosamente
Olhando pelos espaços de minha morada,
 Sem, no entanto ver claramente quão profunda é!
A mesma paisagem colorida, agora pertence ao tempo
A se perder entre brumas de estradas indistintas.

Perdi-me dentro de mim, atropelei caminhos e ruas
Escorreguei em pedras de minhas memórias, quase vazia.
Agonizo na escuridão de um cenário seco,
Semimorto, flutuante que se evapora ao vento
Vago pelas ruas turvas de minha velhice,
Onde fui parar que não me encontro?

(dedicado a uma senhorinha chamada Violeta)

Na foto: D. Inlidia e Lucinda Prado

18/03/2012

Insight poético – Lucinda Prado













Tu és como o vento
Que me chama lá fora,
Vez ou outra...
Adentra minha casa.

Nas minhas noites vazias
Procuro-te lá fora,
Na escuridão da noite
Ouço tua voz a cantar.

São baladas sonoras
De um coração a me chamar:
Venha para a noite,
Pois quero te embalar.

E melhor que venhas hoje,
Sabes que minhas noites são de poesias,
 E minha vida encantada
Nas rimas dos versos,
Se me escutas, sabes que tua alma
Vive em meus poemas
Mas em cada amanhecer
Despede-se num adeus.

Sua casa é meu corpo,
Minha boca sua morada,
Venha sorver a água da vida
E transmutar seus desejos,
Enche-me com seus fluidos
De odores adocicados,
Já não sei se vives em mim
Ou se vivo por você,
Meu doce companheiro
De noites mal dormidas

Se me faltas, sou vela perdida.
Se me atropelas a alma
De versos e prosas,
Me domas como meu dono.
Nas rimas puras de meus versos
Imprimo suas palavras
Sopradas ao relento,
São minhas líricas secretas
De seus cantos cedidos.

Tu és como o vento
Que me chama lá fora.

(Na foto : Lucinda Prado)

12/02/2012

Capas de nosso livro "Doido,Eu?"que será lançado em março
     

25/01/2012

LAMENTO - Lucinda Prado
















Vento que vem do norte
Traz consigo aragem fria
Penetra minh' alma
Congela-me o peito

Vento que vem do norte
Traz consigo canções de pássaros
No piar das tarde cinzentas
No canto distante triste e lento.

Vento que vai pro sul,
Leva meu canto triste
Mas deixe meus sonhos,
Leve apenas a dor que me consome.

“Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu meu amor”.



Versos incidentais de “Prece ao Vento”
De: Gilvan de Assis Chaves


10/01/2012

Entrevista do programa KEntre Nós - Lucinda Prado By Jr Brasil -
Falamos de moda e de meu lado Trilheiro e de escritora

22/12/2011

Ronda Poética - Lucinda Prado


O amor está gritando perto de mim
Ronda- me os sentidos, assinala que vem,
Amedronta-me a alma, arrepia o corpo,
Vem chegando mansamente, não fujo.

Abro meu peito numa coragem sem fim
Deixo que entre, que se lambuze de mim,
Prevejo um brilho purpurinado em meus olhos
Farejo em meu corpo cheiro de amor.


Como um louco, vou dançar com você.
Vou cantar loucamente suas canções
Vou chorar alegremente em meus poemas
Vou sonhar acordado, com momentos sem fim.

Depois você se vai! Terá que ir!
Detesto amores eternos, te expulso de mim.

Deixará versos espalhados nas gavetas
Deixará em meu espelho, sua sombra etérea,
Que rondará meu leito nas noites insones.
Deixará seu riso ecoando em meus ouvidos.

Deixará a marca de teu corpo em meus lençóis azuis
Teu perfume se espalhará por minha alma
Arrancando rimas, espalhando liras.
Sou louco poeta - eis minha arte.

O amor está gritando perto de mim
Ronda- me a alma, assinala que vem.

Maria e José - Lucinda Prado e Monsyerr Batista

Era Maria

Sonhos e fantasias de menina

Trazia a coralina... 

Maria vinha de cora
Vinha pura, vinha limpa
Maria corria, Maria dançava.
Maria cantava e sorria
Maria era Livre



Era José

Que chegou 

Lá das bandas dos Campos Elíseos

Veio no seu cavalo alado
Trazendo as mãos cheias
De estórias de lutas
Castelos, bruxas, donzelas
Dragões e espadas heróicas
José amava a justiça 
E a liberdade



Agora

Era Maria

Era José

Era José e Maria
O novelo e a agulha
Que em sua dança
Rodopiava, tecendo a trama 
Que o coração
Conhece e fia



José não era mais cavaleiro

Era um anjo da conquista

Era no céu risonho da bela

Heróico mito de Heitor
A luz do sol e a fantasia
Cantado em versos, prosas
Contos e poesias
Era o ar que ela respirava
Era Maria apaixonada
Era José oitava maravilha


Agora era tudo diferente

O mundo inteiro para dois amantes

Frenéticos e apaixonados

Todo encanto de amor e prazer

Selaram pactos, trocaram juras
Românticos castelos visitaram,
José acomodou-se das aventuras
Pra dedicar-se inteiro ao amor
Não mais lutava, com dragões e bruxas
Cantava loas, declamava versos
Toda lua cheia era para Maria


Mas chegou um dia José se calou

Suspirou um tanto entediado 

Não fazia mais versos, nem cantava

Seu olhar perdeu-se no vazio

E Maria agora já não empolgava
Viu-se reclamada companhia


Maria observava, Maria pedia
Se chorava ninguém sabia 
Maria sentia, Maria sofria
Não via mais nele a mesma alegria
Tudo ao redor era cinza rotina
E Maria pediu
E Maria rezou
E Maria entendeu o que o acometia


Lá se foi José no seu cavalo alado

Levou sua Maria só no coração

Vestiu a armadura de lutas de outrora

Pra outras aventuras, pra outras dimensões
Lá ficou Maria junto do castelo
A se olharem de longe nas dobras da lua
Com longos bordados
Feitos de renuncia
Feitos de ternura, amor e devoção



Depois da partida veio a tempestade

Depois a bonança em seu coração

Maria acordou certo dia

Surpresa, voltara a sonhar 
José também, e voltou a lutar



Maria sentia-se novamente amada

José percebia que ela 

Era sua força para vencer 

E nas noites de lua, vem vindo José
Aninhar-se no leito de sua Maria
Agora o castelo só sabe dizer
Maria José
José Maria.



**Versão da obra original de Lucinda Prado feita por Monsyerrá Batista 

Na foto: Lucinda e Monsyerrá escrevendo Maria & José

06/12/2011

Duelo Comigo Mesmo - Lucinda Prado

Se você quiser eu fico
Mas você quer e não quer
Você fica no molho, tolo
Escolhe ficar em cima do muro
Então fecho os olhos, boca ,mente
Me pego nesse duelo
Você e eu ...eu e você.

Deixe queimar meus riscos
Amar-te e morrer nos teus braços
Quero viajar nos teus lábios
Dilacerar meu amor é meu risco
Mas você impede-me o voo
Afasta-me com afagos,me puxa de volta
Apontando-me outros amores,outros caminhos
quase viajo na sua sugestão,mas não.

Se você quiser eu fico
Mas você quer e não quer
Fica num lero-lero
Num quero, não quero...

Foto : Lucinda Prado

21/11/2011

Padeirinho Matutino



Abri os olhos preguiçosos... Lentamente fui Tomando pé de tudo... Onde estava... Quem era e tal. De repente, me dei conta; o barulho que me havia acordado, eram os gritos do leiteiro à nossa porta. Corri para expiar pela janela. Seu Juca havia deixado o leite sob a soleira da casa e já seguia trotando com seu cavalo pedrês, atrelado a uma carroça velha, com suas pinturas de flores vermelhas descascadas, semicorroída pelo tempo. Pasmei-me ali... Quieta, amoitada, como uma raposa espreitando sua caça. Apenas uma greta da janela me permitia vigiar a rua, na certeza que ele viria... Meu coração disparou, suei frio, uma dor na boca do estômago gritou como se fosse fome, sem ser. Era o sinal... Ele havia apontado lá na esquina.


Eu o achava tão lindo, tão másculo... tão ...tão – hoje sei que nem era lindo, nem másculo e nem tão... tão...


Vinha ele, quase deslizando pela rua sem asfalto, de cascalho grosso, muitas vezes escorregadio, equilibrando no ombro direito, um cesto com pães. Quando passava em frente de minha janela todas as estrelas do céu vinha me saudar. Era o sonho realizado do dia, fadinhas pareciam saltitar ao meu redor. E saía rodopiando feliz nos primeiros encantamentos de uma paixão adolescente. Minhas hormonas totalmente abolitivas me fazendo imaginar as cenas mais ”Carrareanas” do mundo.


Todas as manhãs, tudo se repetia – me acordava com os gritos de Juca, o leiteiro, corria para a janela a espiar pela brecha... Sonhos e fantasias povoavam meu imaginário o resto do dia. Julgava meu segredo, totalmente seguro e totalmente meu. Assim, os dias foram passando molemente, chegou uma noite em que fui ao aniversário de Ritinha, minha amiga ali da vizinhança, quando estou lá no “dança - dança, fala- fala”, meus olhos foram atraídos por uma figura que estava chegando junto com o Lúcio, irmão mais velho de Ritinha. Pernas tremeram, joelhos chocalharam, boca secou, língua calou. Era ele, nem seu nome eu sabia - era ele, meu padeirinho matutino - que aflição, que vontade evaporar no ar. Pedia a Deus que um redemoinho desses que traz dentro um capetinha – passasse por ali e me levasse para as alturas das montanhas, para o Japão que fosse, mas me tirasse dali.


Seus olhos descobriram-me ali no canto de pavor, e, mais aparvalhada fiquei quando ele veio em minha direção, com andar certeiro, que era pra não deixar dúvida que era o homem do pedaço – na verdade apenas um pouco mais adolescente que eu – Ele chegou seguro, acautelado, lento, olhar fixo em meus olhos, gestos precisos, estendeu a mão e me tirou para dançar. A minha sorte foi que naqueles dias, estava em moda dançar solto, separado, eu não conseguia atinar nem com o ritmo que tocava naquele momento, fiquei meio que bestiada, olhando para ele, encantada, muda, tensa. De repente comecei a ouvir lá longe a voz de Tim Maia cantando - **não quero dinheiro, quero amor sincero... A semana inteira. Só quero amar, só quero amar - Começamos a dançar e dançamos juntos por mais ou menos um ano. Ele foi meu primeiro namorado, meu primeiro beijo na boca, minha primeira paixão.


Assim como os amores adolescentes passam, ele passou.



Assim como os amores adolescentes passam, ele passou.



Outros amores, outros beijos ...







Série Memórias - A Menina Que Procurava



Gravura - Reprodução da obra de Salvador Dalí - Cesta de pão



* carrareanas - relativo a Adelaide Carraro



** música de Tim Maia - Não Quero Dinheiro

13/11/2011

Entrevista de Lucinda Prado e Mano Men para a jornalista Marta Nascimento


ASAS DO VENTO -Lucinda prado – marta nascimento

Te busquei , não te encontrei

Te imaginei voando no céu azul

Quem sabe em busca de um ninho

Ou talvez a procura de um carinho


Te procurei na barra rendada da lua

No calor do sol do meio-dia

Fui mais longe, te procurei em Marte

Pedi as estrelas notícias suas


Perguntei pra Tupi, Iracema e Iemanjá

Mas, foi Oxóssi quem deu a notícia

Você foi buscar novos caminhos

Novas melodias e se deixou ir   


Nas ondas do vento, oh , oh

Nas ondas do vento, oh,oh

20/10/2011



Frequentando Drummond- Versos Presos (Lucinda prado)

Certos versos ficam presos
Adormecidos num recanto da alma.

Sei a senha, não sei decodificá-la.
Senha das palavras, livros da vida.

Talvez os tenha esquecido
Nas páginas de um livro fechado.

Se os procuro incessante
Há de achar-me o desânimo.

Hei de procurá-los no mundo
Quem sabe adormecidos na sombra
De um volume da vida, raro.

Senhas da existência
Senhas do mundo

Decifrá-las será desencantar
Meus versos contidos.

Certos versos ficam presos
Num recanto da alma.

Se os procuro incessante
Minha procura será meus versos.


Uma referência ao poema de Carlos Drummond de Andrade - A Palavra mágica

10/10/2011

O Palhaço - Lucinda Prado e Ana Paula Fumian

Me despi de mim

Pra vestir de você

Das suas cores e risos

Fiz a alegria das multidões

Que seguia o palhaço

Na suas alegrias e piruetas

Mas o que não sabiam

era o que rosto do palhaço

Não refletia ... seu coração.



Seu coração

Era terra sem dono

Cheirava abandono

E não tinha sementes

Pra nascer

Não tinha um nariz

De plástico

Era coração de palhaço

Mas sua arte era sofrer



Me despi de mim

Pra vestir as cores

Que te dei da aquarela

Eu quis colorir

Seus vazios

E a falta da cor

Do seu coração frio

De um palhaço infeliz

Que levava a alegria

Mas ainda não sabia

Encenar o amor


By Ana Fumian e Lucinda Prado

Foto: Lucinda Prado em vestes de palhaço

06/10/2011

MARIA, A DOIDA - Lucinda Prado

Quem foi que te disse que aqui tem pouso
Vai-te daqui com seus molambos encardidos
Quem sabe seu Benedito se apieda de ti
Te empresta o paiol para uma noite dormir.

Maria se vai com seus teres em trouxa
Gingando seu corpo, gordo, sujo, imundo!
Cai aqui, se levanta pra cair, mais suja ficou!
Olhos de rosto que o tempo deu um tapa, coitada.

Mãe, pai ninguém sabe quem são, que importa?
Diz nascida de uma noite de tormenta, agonia.
Não teve amor, logo não sabe do que se aventa
Coitada da Maria, tão gorda, tão suja, tão só.

Janelas e portas se fecham quando aponta Maria,
Menino corre pra dentro que lá vem Maria
Maria da Glória, do Carmo, de Fátima?
Quem é Maria? Ninguém sabe não.

Seu Benedito não acolhe pra noite de chuva
Maria de não sei de quê, só sabem que é louca, doída?
A chuva engrossa, o céu desmorona, trovão,
Na cabeça de Maria a trouxa se rompe, estrondos.

Coitada da Maria carrega dolente... Expia,
Pesadamente a saga de suas Marias...
A visão se turva ,o corpo fraqueja ,geme
Seu cão late sentido, dorido, urgente.

Na beira da estrada por chuva lavada, cavada
Encontram Maria amontoada na vala
Vala da vida, seu leito de morte
Morre Maria! Coitada, sozinha!
Quem foi que morreu?
Ninguém não... Foi apenas Maria,
Maria? Maria? O que é Maria?


Foto: google -

02/10/2011

Diálogo Poético de Além-mar - Lucinda Prado


“Sou todo teu, vida minha!”
Repliquei entre doces afagos de amor:
“Não quero todo, apenas as melhores partes.”
Respondeu-me com afável olhar de malícias:
“Para que precisas de meus ouvidos?”

“Para que ouças meus gemidos emaranhados
Em meus versos, docemente sussurrados,
No ressoar incerto de minha voz
Entre dentes... Puros cicios de amor

Para que sintas meu gritar de desejos
Em meus seios premidos contra teu peito
E nas batidas descompensadas de meu coração
Ouvirás meu gozo profundo, doce mistério sem fim.

Se encostar teus ouvidos em meus pulsos
Escutarás baixinho, meu chamado amigo
Para que te percas nas dimensões de risos
No ritmo e som do meu amor infindo

Ou quem sabe, quando de mãos dadas sairmos
Ouvindo Beethoven em sua Nona Sinfonia
Possamos junto ouvir o chamar dos céus
Nas notas musicais ternas de Für Elise."

22/09/2011

Eretismo - Lucinda Prado


A alma se fez candente
Em inquietações desconcertantes
Impelindo pensamentos devassos
Contra um corpo arquejante!

Rapidamente no cérebro estanca
No afã de ideias insanas
Um feixe de luz alavanca
Loucos instintos, chispantes!

Corpo e alma na forja ardente
Rija a boca... Contorce o dorso
Na suprema convulsão delirante
Esmaga a pele, range os dentes!

Do corpo emanam faíscas instigantes
Encontram raios, espasmos, gritos
Rotação lenta entre corpo e alma
Corpo e alma lentamente descansam!

07/09/2011

Asas do Vento - Lucinda Prado e Marta Nascimento

Te busquei , não te encontrei

Te imaginei voando no céu azul

Quem sabe em busca de um ninho

Ou talvez a procura de um carinho


Te procurei na barra rendada da lua

No calor do sol do meio-dia

Fui mais longe, te procurei em Marte

Pedi as estrelas notícias suas


Perguntei pra Tupi, Iracema e Iemanjá

Mas, foi Oxossi quem deu a notícia

Você foi buscar novos caminhos

Novas melodias e se deixou ir


Nas ondas do vento, oh , oh

Nas ondas do vento, oh,oh

......

Foto: Lucinda prado
Veja a música aqui

04/09/2011

Uirapuru - Lucinda Prado e mano Men



Uma letra minha musicalizada por Mano Men - ornando um vídeo sobre a instição do Uirapuru - editado por Célia Braga e publicado na França.

20/08/2011

Escandalosa - Lucinda Prado

De Gargalhadas cristalinas
De dentes brancos afiados
Menina moleca nas artes
Mulher exuberante e sonhadora
Quem te vê assim feliz, cantante
Quer te alcançar, estrela luminosa.

Rodopiando com seu Vestido rodado
Espalhando Flores dos cabelos
Nova Gabriela com cravo e canela
Doce menina, pimenta mulher.

Sorrisos para as crianças
Risadas para os velhos
Gargalhando de si mesmo
Dança, rodopia e encanta
Desperta inveja e cobiça

Vamos cantar, vamos dançar
Vamos dançar, vamos cantar
Segue com ela
Ricos, pobres, homens, mulheres
Vamos todos gargalhar.

foto: Lucinda Prado